A conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump avançou o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos. Contudo, especialistas indicam que as negociações sobre tarifas ainda não entraram em fase efetiva, persistindo entraves em pauta.
Vito Villar, coordenador da BMJ Consultoria, afirmou que o Itamaraty alcançou um objetivo ao retomar a aproximação direta entre os líderes. Segundo ele, esse passo é relevante, pois ajudou a reduzir tensões comerciais em 2025. No entanto, Villar ponderou que a ação é positiva, mas não representa um caminho aberto para acordos.
Além das tarifas, questões como o acesso ao mercado brasileiro de etanol e as regras aplicadas a empresas de tecnologia americanas permanecem pendentes. O maior interesse estratégico, segundo Villar, recai sobre minerais críticos e terras raras brasileiras, recursos essenciais para microchips e tecnologias estratégicas.
A flexibilização temporária das cotas de carne bovina americanas pode beneficiar exportadores brasileiros, mas Villar duvida que a medida tenha sido planejada especificamente para o Brasil. Ele avaliou que o período de noventa dias é curto para que a mudança produza efeitos práticos, classificando-a como uma sinalização política.
Villar destacou que a estratégia brasileira foca na interlocução direta com Donald Trump, visto que o país possui uma complexidade política e econômica própria. Ele previu que, até as eleições, podem ocorrer novos movimentos de aproximação ou de pressão sobre o Brasil.

