No Nordeste, o apoio ao petista segue forte, com 53% dos entrevistados afirmando votar no candidato do PT, de acordo com o primeiro levantamento do Datafolha. Contudo, observa-se um crescimento da direita organizada e do centro em disputas estaduais e municipais.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) realiza eventos em cidades do sertão, buscando apoio eleitoral. Enquanto João Campos (PSB) tenta polarizar a disputa entre aliados do petista e de Flávio Bolsonaro (PL), Lyra foca em manter laços com o petismo e atrair parte do bolsonarismo.
O avanço das forças de oposição é visível em cidades médias, onde partidos como União Brasil, PP, PSD e PL elegeram prefeitos em sete das nove capitais nordestinas em 2024. Em áreas onde Lula obteve alta votação em 2022, como no Cariri cearense, os eleitores mantêm fidelidade ao petista na esfera nacional, mas consideram outras opções para cargos locais.
Cientistas políticos apontam mudanças na dinâmica regional. Cláudio André de Souza, professor da Unilab, afirma que o bolsonarismo criou um alinhamento ideológico mais claro, prevendo um avanço pontual da direita no Nordeste. Em outros estados, lideranças como Eduardo Braide (PSD) e Allyson Bezerra (União Brasil) buscam construir identidades próprias, fugindo da polarização.
No Ceará, o tucano tenta retornar ao governo sem apoiar Flávio Bolsonaro, contando com a base organizada do bolsonarismo. Giuseppe Mallmann, professor de Barbalha (CE), questiona a contradição entre a devoção religiosa da região e o voto na esquerda, mas prefere focar em mudanças de longo prazo.

