A recuperação recente do Ibovespa não indica mudança estrutural de tendência, afirma Luccas Saqueto, economista da GO Associados. Ele aponta que eleições, fluxo de investidores estrangeiros e juros americanos serão fatores de instabilidade no mercado brasileiro.
Saqueto considera o movimento positivo da Bolsa recente como conjuntural. Com a campanha eleitoral ganhando força, pesquisas e debates dos candidatos elevam a sensibilidade dos ativos domésticos, pois o mercado precifica o comportamento dos políticos.
O ambiente externo também influenciou a alta recente. A melhora nos juros de títulos longos dos Estados Unidos aumentou o apetite por risco, favorecendo a Bolsa nacional. Contudo, o economista alerta para grande instabilidade, citando a saída relevante de capital estrangeiro em agosto, ligada à aversão ao risco e incertezas eleitorais.
O fluxo internacional é crucial para o mercado brasileiro, que é menor em volume de investimentos comparado ao americano. A saída de recursos estrangeiros pode ampliar as oscilações. Além disso, o petróleo permanece um risco, com contratos futuros subindo. A valorização do barril Brent para outubro atingiu US$ 94,39, subindo 0,65%.
Saqueto também observou a elevação dos rendimentos de títulos de longo prazo dos EUA. Esse aumento no prêmio sinaliza maior percepção de risco global. Ele conclui que a incerteza na política externa americana impacta diretamente a remuneração exigida pelos investidores nesses papéis.


