A Aeris, fabricante de pás eólicas, solicitou à Justiça de São Paulo a suspensão de execuções e cobranças de dívidas. A empresa, que possui passivo financeiro próximo a R$ 2 bilhões, iniciou mediação para reestruturar o endividamento.
A companhia declarou que a proteção judicial é temporária e que avalia alternativas para ajustar os termos da dívida à sua capacidade de geração de caixa. O balanço do segundo trimestre de 2026 mostrou dívida bruta de R$ 1,956 bilhão, contra R$ 1,818 bilhão no final de 2025. O caixa livre registrou apenas R$ 17,3 milhões, resultando em dívida líquida de R$ 1,938 bilhão.
A situação financeira coincide com a queda na receita da Aeris. No segundo trimestre, a receita líquida atingiu R$ 129,3 milhões, uma redução de 46,6% comparado ao mesmo período de 2025. O prejuízo no trimestre foi de R$ 152 milhões, somando R$ 290 milhões na acumulação dos primeiros seis meses do ano.
A empresa enfrentou pressão financeira elevada pelas despesas financeiras líquidas, que subiram 60,5% no segundo trimestre. A Aeris atribuiu parte da baixa de faturamento à retração do mercado eólico brasileiro, embora as vendas para o exterior tenham crescido no semestre.
Este movimento ocorre em um contexto de estresse financeiro no mercado. Casas Bahia e Marabraz pediram recuperação judicial no mesmo mês, enquanto a Braskem Idesa protocolou pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos.

