O telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorrido na sexta-feira, é considerado por integrantes do Palácio do Planalto um fator que enfraquece os argumentos do senador Flávio Bolsonaro contra a política externa brasileira.
Flávio Bolsonaro tem direcionado críticas à política externa conduzida pelo presidente brasileiro e à relação bilateral com os Estados Unidos. O senador alega que o presidente Lula utiliza as tensões entre os países para obter ganhos eleitorais, sustentando que o líder brasileiro não busca solucionar divergências, como as relacionadas ao chamado tarifaço.
Para assessores próximos ao governo Lula, a conversa com Trump dificulta a linha de argumentação de Bolsonaro. O contato, que durou cerca de 1h20, é visto como um sinal da importância dada pelo presidente brasileiro ao diálogo com a Casa Branca. O governo também citou outros contatos recentes de Lula, incluindo conversas com Xi Jinping, presidente da China, no fim de julho, e com Vladimir Putin, presidente da Rússia, no início de agosto.
Auxiliares do Planalto interpretam o contato como uma oportunidade para fortalecer o diálogo entre os dois governos. O governo brasileiro mantém uma relação “excelente” com a maioria dos líderes conservadores na América Latina, exceto com o presidente da Argentina, Javier Milei. Apesar da avaliação positiva do diálogo, o Planalto monitora possíveis interferências externas no processo eleitoral, citando a influência de nomes como Marco Rubio.

