A introdução de animais exóticos e silvestres em áreas urbanas brasileiras demonstra riscos à saúde. Pombos e pardais foram trazidos para embelezar cidades, mas se provaram transmissores de doenças. Atualmente, a presença de capivaras no Guaíba também gera preocupações sanitárias.
Pombos foram introduzidos no Brasil no século XVI, inicialmente para consumo. Em 1808, com a chegada da família real portuguesa, a importação aumentou, buscando imitar metrópoles europeias. Cem anos depois, entre 1903 e 1906, o então prefeito da capital do Brasil, Francisco Pereira Passos, e o diretor-geral de Saúde Pública do RJ, Oswaldo Cruz, importaram pardais para combater mosquitos no Rio de Janeiro. Esse projeto falhou, pois os pássaros são transmissores de doenças, como a gripe aviária, para humanos e aves de produção.
Atualmente, há proibição de alimentar pombos em espaços públicos. O monitoramento visa evitar a proliferação e o surgimento de zoonoses, como criptococose e histoplasmose. A bióloga Virgínia Steiger explica que o maior risco reside no acúmulo de fezes, cujos esporos podem ficar suspensos e serem inalados.
Em Porto Alegre, as capivaras do Guaíba representam uma valorização estética ecológica, mas trazem outros problemas. Apesar de serem nativas, elas são hospedeiras do carrapato-estrela, vetor da febre maculosa. Os locais frequentados pelos animais não são recomendados para sentar, especialmente para crianças e idosos.
O autor conclui que espaços urbanos exigem limpeza e assepsia, diferentemente de ambientes naturais. A falta de aprendizado com os erros passados expõe a população a novas consequências de saúde pública.


