O andamento da investigação envolvendo o filho de Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, intensifica o atrito entre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O impasse gira em torno de decidir se o inquérito deve seguir para a primeira instância da Justiça ou permanecer na Corte.
O chefe do Ministério Público defende que o inquérito deve ser remetido à primeira instância, alegando ausência de elementos que envolvam autoridades com foro privilegiado no STF. Contudo, fontes próximas a Mendonça sustentam que a conexão com o escândalo do INSS e menções a Lula em mensagens podem justificar a manutenção do caso no tribunal superior.
Essa disputa se soma às divergências acumuladas entre os dois, que abrangem também o caso ligado ao Banco Master. Mendonça deve rejeitar o pedido da PGR, mas o órgão pode recorrer à Segunda Turma do STF. O magistrado, indicado por Jair Bolsonaro, tem adotado entendimentos distintos dos defendidos por Gonet.
Em junho, houve um desentendimento em uma operação do caso Master. Gonet concordou com a Polícia Federal em uma ação que visava um senador, mas se opôs à apreensão de itens de luxo e dinheiro em espécie, o que Mendonça indeferiu. A PGR também manifestou-se contrária a mandados de busca e apreensão em endereços ligados a familiares do senador Weverton Rocha.
Para manter o caso de Lulinha no STF, Mendonça precisaria citar precedentes específicos. A PGR, por sua vez, argumenta que não há indícios mínimos de participação de autoridades, citando um caso de 2024 que exigia participação “ativa e concreta” nos crimes investigados.


