Organizações criminosas exercem influência em processos eleitorais na América Latina, ultrapassando o financiamento ilícito de campanhas. A atuação envolve corrupção, lavagem de dinheiro e controle territorial, afetando as condições de competição democrática.
Um estudo do Grupo de Diários América revelou como economias ilegais se aproximam de estruturas políticas na região. O crime organizado atua dentro das instituições, explorando vulnerabilidades para ampliar seu poder, sem precisar substituí-las formalmente.
No Brasil, a interferência adquire complexidade territorial. Informações do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo apontaram cerca de 70 candidatos investigados por laços com grupos criminosos, dos quais 12 foram eleitos. A Polícia Federal também identificou suspeitas de interferência em dezenas de municípios.
Em João Pessoa, Paraíba, durante as eleições municipais de 2024, elementos do Ministério Público Eleitoral indicaram que membros da facção Nova Okaida controlavam comunidades. Mensagens atribuídas ao grupo visavam impedir a presença de candidatos e direcionar o comportamento eleitoral dos moradores.
A denúncia, recebida pela Justiça Eleitoral, envolveu a primeira-dama da cidade e uma vereadora. Segundo a acusação, existia um sistema de troca de apoio político por cargos na administração municipal, demonstrando como a ameaça alcança a liberdade de escolha.

