O mercúrio, insumo estratégico para a mineração ilegal de ouro na Amazônia, causa graves danos ambientais e à saúde. Um estudo recente indica que a interrupção dessa cadeia criminosa deve ocorrer em portos e instituições financeiras, e não apenas na floresta.
O mercúrio permite separar o ouro dos sedimentos de forma simples. Contudo, ele contamina rios, peixes e populações por décadas. O debate sobre o combate ao garimpo foca nos locais de extração, mas essa abordagem é considerada insuficiente, segundo o relatório do Instituto Igarapé e Entre Fronteiras e Estados.
A pesquisa mostra que redes transnacionais mantêm o fluxo do mercúrio por meio de fraudes documentais e empresas de fachada. O tráfico prospera onde os controles são fragmentados, e as informações não circulam entre órgãos públicos.
A conclusão aponta que é necessário fortalecer os controles aduaneiros e monitorar fluxos financeiros suspeitos. Essas ações, embora menos visíveis que as operações policiais, podem ser mais eficazes para frear o crime ambiental.
A coordenação regional entre países amazônicos também é fundamental. Sem ela, o endurecimento de controles em um país apenas desloca as rotas ilícitas para outro, preservando a atividade criminosa.

