A economia da Argentina apresenta recuperação com sinais mistos, segundo relatórios do Itaú BBA e Bradesco BBI. Embora haja melhora no comércio exterior e disciplina fiscal, o país enfrenta fraqueza na demanda interna, no mercado de trabalho e no consumo.
A atividade econômica argentina cresceu zero vírgula oito por cento em junho, comparado a maio, com ajuste sazonal, conforme dados do EMAE. Este resultado interrompeu duas quedas consecutivas. Contudo, o segundo trimestre de 2026 registrou encolhimento de zero vírgula nove por cento frente ao trimestre anterior, revertendo a expansão de zero vírgula sete por cento vista nos três primeiros meses do ano.
A recuperação não é homogênea entre os setores. As atividades primárias avançaram nove vírgula um por cento anualmente, impulsionadas pela safra agrícola. Em contrapartida, a indústria de transformação recuou dois vírgula um por cento na comparação anual, refletindo a fraqueza nas importações de bens de capital e insumos intermediários.
No mercado de trabalho, os salários reais do setor privado caíram dois vírgula oito por cento no segundo trimestre. O emprego formal, por sua vez, retraiu zero vírgula nove por cento em maio, marcando a vigésima quarta queda consecutiva do indicador. A confiança do consumidor também caiu um vírgula um por cento em agosto.
O setor externo sustenta a economia. Em julho, a Argentina teve superávit comercial de dois vírgula um bilhões de dólares, elevando o acumulado em doze meses para vinte e três vírgula sete bilhões de dólares. O Itaú BBA projeta crescimento de dois vírgula oito por cento para o PIB argentino em 2026, mantendo o risco inclinado para baixo devido à demanda enfraquecida.

