Matheus Godoy, escritor e estudante de Psicologia, lançou o livro ‘Rabiscos: um museu para se chamar de casa’. A obra utiliza memórias pessoais para criar um espaço imaginário, funcionando como um museu que convida o leitor a reconhecer seus próprios afetos e conflitos.
A narrativa não se foca em uma história única. Em vez disso, Godoy constrói salas que representam lembranças, permitindo que o leitor se identifique com sentimentos e contradições da vida. A ideia surgiu após uma visita à Casa Cor, evento que despertou lembranças de momentos vividos com os pais, segundo o autor.
Godoy optou pela autoficção para garantir que as pessoas reais de sua história não fossem expostas. Ele priorizou a visão poética para que qualquer leitor pudesse se conectar com o texto, que foge da linearidade tradicional. A obra incorpora músicas e obras de arte, reforçando a sensação de percorrer uma exposição.
O autor explora a ambivalência das relações humanas em capítulos como “O Colo” e “Mordaça”. Ele investiga como o acolhimento pode coexistir com a limitação, levantando a questão de quem se pode confiar em relacionamentos complexos. Godoy afirma que a escrita foi um processo doloroso, mas necessário para montar a narrativa.
A intenção do escritor não é aprisionar o leitor em sua intimidade. Ele deseja que cada leitor encontre algo próprio no percurso, promovendo uma transformação pessoal. Para ele, o museu é menos sobre as obras expostas e mais sobre quem caminha por suas salas.

