Monges e pesquisadores no Japão aplicam inteligência artificial para fortalecer o contato com os fiéis. A iniciativa surge enquanto cerca de 30% dos templos do país enfrentam risco de desaparecer até o ano de 2040, devido à queda da religiosidade.
No templo Ganshuji, localizado em Odawara, na província de Kanagawa, o monge Souou Iwayama implementou ferramentas tecnológicas para adaptar a instituição. Durante a pandemia, ele criou um serviço de zazen online e reformulou a área de sepultamentos, oferecendo o jumokuso, onde cinzas ficam sob árvores, em vez de monumentos de pedra. Essa mudança ajudou as finanças do templo, que antes dependia de apenas quatro famílias de apoio.
Outra frente de trabalho envolve o desenvolvimento de sistemas de conversação baseados em textos budistas. O sacerdote budista Seiji Kumagai, professor da Universidade de Kyoto, e Toshikazu Furuya, CEO da Teraverse, criaram o BuddhaBot. A ferramenta, lançada inicialmente em 2021, usava o algoritmo Sentence-BERT e se baseava no Sutta Nipata.
Em 2023, a equipe lançou o BuddhaBot-Plus, e posteriormente surgiram o Shinran-Bot e o Vasubandhu-Bot. Pesquisadores também apresentaram o Buddharoid, um robô humanoide equipado com o BuddhaBot-Plus, e desenvolveram interfaces de realidade aumentada. Os especialistas alertam que a tecnologia deve ser apenas um apoio, pois não substitui a interação humana, segundo Kumagai.
Pesquisas indicam que em 2018, vinte e seis por cento dos entrevistados disseram ter alguma crença religiosa no país. Apesar disso, a relação com a IA cresce; uma pesquisa de junho de 2025 apontou que sessenta e quatro vírgula nove por cento dos usuários de IA conversacional compartilhavam emoções com os sistemas.


