Criada em Goiânia a partir da procura de trabalhadores de baixa renda por atendimento psicológico, instituição ampliou atuação, formou mais de 1,5 mil profissionais e chega a quase 3 mil usuários distintos em 2026
O que começou, em agosto de 1997, como um consultório destinado ao atendimento psicológico em Goiânia transformou-se, ao longo de quase três décadas, em uma instituição dedicada à assistência, à formação profissional e à prevenção em saúde mental. O Instituto Olhos da Alma Sã completa 29 anos neste mês com atuação ampliada e planos de expansão para outras regiões do país.
A origem da instituição está diretamente ligada à busca por atendimento psicológico acessível. Ao chegar a Goiânia para lecionar na então Universidade Católica de Goiás (UCG), atual PUC Goiás, o psicólogo Jorge Antônio Monteiro de Lima começou a ser procurado por funcionários da instituição interessados em fazer terapia. Muitos tinham baixa renda e a procura tornou-se maior do que sua capacidade individual de atendimento.
A alternativa encontrada foi envolver estudantes do curso de Psicologia nos atendimentos, sob sua supervisão. A experiência deu origem ao Instituto Olhos da Alma Sã e ao modelo de atendimento que, ao longo dos anos, seria ampliado por meio da Clínica Social.
“Eu sozinho não conseguia atender a demanda, que na época já era grande. Foi a partir de uma grande demanda social que surgiu a ideia do Instituto”, relembra Jorge.
No início, a estrutura se resumia a um consultório, com horários compartilhados, no mesmo endereço onde atualmente funciona a sede da instituição. Além dos atendimentos clínicos, começaram a ser oferecidos cursos extracurriculares e supervisões. Posteriormente vieram os cursos de pós-graduação, dentro da abordagem da Psicologia Analítica.
O próprio nome da instituição nasceu desse período. Segundo Jorge, durante suas análises e supervisões com Leon Bonaventure, em São Paulo, a expressão “olhos da alma” aparecia com frequência nas conversas. Dali surgiu a inspiração para o nome Olhos da Alma Sã.
Clínica Social amplia acesso ao cuidado
A Clínica Social permanece como um dos principais eixos de atuação do Instituto. O modelo busca facilitar o acesso ao acompanhamento em saúde mental e permite que o próprio usuário informe quanto pode pagar pelo atendimento, de acordo com sua condição financeira.
Os recursos arrecadados contribuem para a manutenção da estrutura e de programas sociais desenvolvidos pela instituição, incluindo a concessão de bolsas de estudo.
O dossiê institucional registra uma média de aproximadamente 90 mil atendimentos por ano, considerando as sessões realizadas ao longo dos acompanhamentos. Um mesmo usuário pode realizar sessões semanais ou, conforme a necessidade de cada caso, mais de um atendimento por semana.
Em 2025, o Instituto registrava aproximadamente 1,4 mil usuários e realizava cerca de 80% dos atendimentos de forma remota e 20% presencialmente. Em 2026, segundo dados atualizados pela instituição, o número já se aproxima de 3 mil usuários distintos.
Formação e prevenção
A formação profissional constitui outro eixo da trajetória do Instituto. Mais de 1,5 mil profissionais já passaram pelos cursos oferecidos pela instituição ao longo dos 29 anos.
Atualmente, o Instituto conta com 62 professores e 28 supervisores clínicos. Somente em 2025 foram realizadas mais de 38 atividades complementares, entre cursos, oficinas e palestras.
As ações de prevenção em saúde mental também ganharam espaço. O dossiê registra 48 ações e eventos em 2024 e outras 38 em 2025, considerando iniciativas próprias e participações em atividades promovidas por outras instituições.
A programação mantém atividades presenciais e remotas ao longo do ano, com seminários, rodas de conversa, ações voltadas às famílias neurodivergentes e eventos de formação em saúde mental. Parte das atividades on-line permite a participação de profissionais, estudantes e pesquisadores de diferentes regiões do país.
Ao longo dos anos, a atuação também passou a envolver produção cultural e de conhecimento, com publicação de livros, produção audiovisual, cursos, debates e outras iniciativas relacionadas à saúde mental.
Para Jorge, entretanto, os números não são o principal resultado das quase três décadas de trabalho.
“É um sonho poder falar que temos auxiliado milhares de pessoas ao longo desses anos. Cada vida que auxiliamos para nós é de suma importância”, afirma.
Caminho para os 30 anos
A chegada aos 29 anos também marca o início de uma nova etapa. Para 2027, quando completará três décadas de existência, o Instituto projeta continuar ampliando sua estrutura física e expandir sua atuação para outros estados e regiões do Brasil.
Entre os desafios, Jorge aponta a necessidade de crescer de maneira sustentável e superar entraves burocráticos, sem perder a proposta que deu origem à instituição.
“É maravilhoso poder dar às pessoas qualidade de vida e saúde mental”, resume.

