O coronel João Batista de Mello Araújo, que comandou a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) entre 2020 e 2022, afirmou em entrevista que encontrou a empresa endividada e com problemas de corrupção e criminalidade. Ele também criticou o ‘mau exemplo’ dado por líderes políticos, como o ex-presidente Lula, e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro lhe deu ‘carta branca’ para reorganizar a empresa.
Ao assumir a presidência da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em outubro de 2020, o coronel João Batista de Mello Araújo encontrou uma empresa endividada, sem histórico de lucro e, segundo seu relato, tomada por interesses políticos, corrupção e criminalidade. A companhia acumulava cerca de R$ 90 milhões em dívidas e não tinha dinheiro sequer para pagar a folha de novembro.
A nomeação havia sido feita pelo então presidente Jair Bolsonaro, a quem Mello Araújo demonstra lealdade e confiança. Segundo ele, Bolsonaro lhe deu ‘carta branca’ para reorganizar a empresa. O coronel montou uma equipe técnica, afastou indicados políticos e passou a prestigiar funcionários de carreira. ‘Eu vou valorizar o profissional que trabalha. Se o cara produz, eu vou valorizar’.
Mello Araújo relata que encontrou contratos com indícios de irregularidades e superfaturamento, além de problemas como tráfico de drogas, jogo do bicho e prostituição infantil. Um dos casos envolvia o estacionamento da Ceagesp. O coronel também afirma ter recebido informações sobre um plano para assassiná-lo. ‘Tentaram me oferecer apartamento, tentaram me subornar. A gente foi moralizando’.
Outra medida destacada foi o fim da cobrança de taxas de carregadores, trabalhadores que, segundo ele, precisavam pagar para exercer a atividade. ‘Era escravidão’.
Ao deixar a companhia, Melo Araújo afirma ter entregue a Ceagesp sem dívidas e com R$ 40 milhões de lucro. Para ele, o resultado foi consequência de uma gestão baseada em princípios: ‘Não sou melhor que ninguém, mas, se não roubar, sobra. E a gente não roubou, sobrou’.
Ao falar sobre política, o coronel classificou Bolsonaro como um dos poucos políticos honestos que conheceu e afirmou que sua relação com o ex-presidente é baseada na lealdade. Sobre Lula da Silva, disse que o exemplo transmitido pelo chefe do Executivo influencia o comportamento da sociedade. ‘Se você quer um Estado, um município, seja lá o que for, tem que ter um bom exemplo’, afirmou. Para Melo Araújo, ‘o mau exemplo de cima faz o crime crescer’.

