Uma incorporadora está investindo R$ 200 milhões na construção de novos residenciais na região da Candelária, no Centro do Rio, onde tradicionalmente se localizavam escritórios e bancos. A transformação do entorno da igreja que dá nome ao ‘quadrilátero’ já movimenta incorporadoras, gestoras e proprietários.
A Fator Realty é um dos grupos que apostam nessa tese. A empresa, que já desenvolve, em parceria com a CIX Capital, um projeto residencial no Edifício João Ursulo Ribeiro Coutinho, prédio modernista projetado por Lúcio Costa, prevê investir outros R$ 200 milhões em novas oportunidades na área.
“Já estamos em negociações com novas oportunidades, principalmente em áreas próximas à Candelária, acreditando no potencial do Centro como um bairro residencial vibrante e permanente”, afirma Vasco Rodrigues, CEO do Grupo Fator.
O otimismo tem uma boa justificativa. O Brise Studios Design, como foi batizado pelas empresas, surpreendeu pela velocidade das vendas. Em outubro do ano passado, 90% das 154 unidades foram vendidas em apenas duas horas após o lançamento. O empreendimento, já em obras de conversão, ocupa um edifício de 11 andares, vendido pela gestora São Carlos, e terá apartamentos de até 44 metros quadrados.
A dupla já vem mapeando, desde o ano passado, edifícios na região. Segundo informações obtidas pela redação, nove imóveis já foram estudados pelas empresas. A ‘Zona Sul’ do Centro Não por acaso, alguns agentes do mercado já apelidaram o entorno da Candelária de ‘Zona Sul do Centro’. A comparação leva em conta a localização privilegiada, a proximidade com a própria Zona Sul e a percepção de que o trecho pode se tornar um dos endereços residenciais mais valorizados do bairro.
O Brise, por exemplo, vendeu suas unidades a um preço médio de R$ 420 mil, um dos mais altos praticados em novos residenciais da região, que, segundo o Secovi Rio, teve o preço médio do metro quadrado residencial subindo quase 10% entre janeiro e julho deste ano.
Bem perto do próprio João Ursulo, conforme o DDR noticiou em primeira mão, vai até setembro o leilão do antigo prédio da Petrobras, primeira sede da estatal na cidade. O lance mínimo é de R$ 14,3 milhões. A primeira tentativa, em 2021, não vingou. Agora, o mercado parece olhar diferente para o ativo de 12 andares e 7 mil metros quadrados. ‘Tendo em vista o grande volume de vendas de edifícios na região, esse é um negócio que tem grandes chances de acontecer, porque o prédio está num valor considerado de mercado, numa localização muito boa e que está sendo cada vez mais querida por aqueles que buscam fazer empreendimentos residenciais no Centro’, afirmou Lucy Dobbin, superintendente da Sérgio Castro Imóveis, maior corretora da região.

