As oficinas de artesanato do projeto Círio Iluminado 2026 chegaram ao bairro da Pedreira, em Belém. As aulas, realizadas no Centro Comunitário Unidos Venceremos, têm mobilizado dezenas de moradores da área em busca de aperfeiçoamento técnico, novas oportunidades no mercado de trabalho e um espaço de acolhimento e transformação pessoal. Só neste ano, mais de 400 pessoas já se inscreveram nos cursos e oficinas do projeto.
Realizado há três anos, o Círio Iluminado se transformou em uma importante iniciativa geradora de possibilidades de aprendizado para a geração de renda. O projeto conta com o patrocínio da Equatorial Pará, apoio institucional do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e da Fundação Cultural do Pará, através da Lei Semear, sob a produção executiva da A Produção e da Associação Pernambucana Compartilhar (Aspecom).
Para o coordenador geral do projeto, Olívio Rafael, a chegada das oficinas à comunidade representa a concretização de um compromisso social contínuo e transformador. “Ver pessoas sendo impactadas positivamente e possibilitar um trabalho digno é extremamente recompensador”, afirmou Olívio.
Michelle Miranda, analista de responsabilidade social da Equatorial Pará, reforça que para a empresa “a inclusão significa criar oportunidades reais para que diferentes pessoas possam participar, aprender, empreender e demonstrar seus talentos. O aspecto mais marcante do projeto é ver esse conceito acontecendo na prática desde a concepção até a realização das oficinas, garantindo espaço para diferentes trajetórias e histórias”, destaca Michelle.
Na sala de aula, a condução da turma fica a cargo da professora de artes Vera Ano Bom, que se dedica ao ensino comunitário. Vera enxerga no curso uma ponte entre a sua própria trajetória e as realidades vivenciadas pelas alunas. “A arte é uma importante ferramenta tanto para a saúde mental quanto para a renda familiar das participantes. Fui recebida com muito carinho e compartilho com todos aqui as nossas histórias de vida que são desafiadoras”, constata Vera.
Entre as participantes, os depoimentos confirmam o papel do artesanato como instrumento de saúde mental e independência financeira. A dona de casa Simone Brito conta que a oficina representou uma porta aberta em um momento delicado, marcado pelo enfrentamento da depressão e da ansiedade. Além de buscar uma fonte de renda necessária para a família. “Encontrei aqui no trabalho manual um caminho de cura e já consigo enxergar uma perspectiva positiva no horizonte. Estou sendo incentivada pelas minhas colegas aqui do centro comunitário e quero multiplicar o aprendizado no futuro, ensinando outras mulheres assim que dominar as técnicas. E vou vencer a depressão e Nossa Senhora vai me ajudar”, Simone contou confiante.
A oportunidade de negócios gerada pela festividade nazarena de outubro também impulsiona as moradoras. A dona de casa Lúcia Rezende buscou a oficina focada em aprender todas as técnicas artesanais para comercializar produtos durante o Círio de Nazaré. “Tenho dois objetivos principais: exercitar minha memória para manter a mente sempre ativa, além de garantir um ganho financeiro extra no segundo semestre. Tô aprendendo muito e fazendo novas amizades”. Concluiu Lúcia.

