O Banco Central (BC) informou nesta quarta-feira (26) que prepara medidas para mitigar riscos de crédito causados pelo endividamento das famílias, especialmente em modalidades emergenciais e onerosas. A iniciativa, detalhada em comunicado do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), visa fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro.
A autoridade monetária descreveu o cenário atual como marcado por taxas de juros contracionistas, aumento da inadimplência e maior comprometimento da renda familiar. Segundo o documento, esse ambiente exige maior diligência e cautela dos bancos na qualidade dos empréstimos e no apetite ao risco.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou na abertura da Febraban Tech que o órgão foca no desenho de medidas macroprudenciais. O objetivo é garantir que as instituições financeiras mantenham provisões adequadas ao risco real das operações, evitando que bancos cresçam de forma artificial ao assumir riscos excessivos.
Galípolo disse que a intenção é assegurar um ambiente competitivo isonômico e coibir práticas de empresas que buscam vantagens comerciais ignorando regras de governança e de prestação de serviços. O presidente do BC mencionou, ainda, a necessidade de a população compreender melhor quais serviços financeiros são mais adequados.
O Comef avaliou que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) possui provisões para perdas de crédito, níveis de liquidez e capital adequados para enfrentar a materialização de riscos. Apesar disso, o BC recomendou que as instituições supervisionadas mantenham a gestão prudente de capital e liquidez devido às incertezas econômicas.
No plano internacional, a autoridade monetária declarou ter atenção particular aos efeitos das políticas monetária e fiscal de economias avançadas, além de reposicionamentos comerciais, eventos geopolíticos e reprecificação de ativos globais.


