Uma avalanche de lama e rocha atingiu um rio na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). O desastre, que provocou inundações na região do Himalaia, teria sido desencadeado pelo desprendimento abrupto de um bloco de gelo de uma geleira, segundo a análise de geólogos.
A polícia nepalesa confirmou a recuperação de 157 mortos e informou que cerca de 400 turistas estão desaparecidos. No Tibete, as autoridades reportaram ao menos três mortes e 265 pessoas desaparecidas.
Imagens de satélite indicam que parte de uma geleira de 600 metros de largura se desprendeu, caindo pouco mais de um quilômetro verticalmente até o fundo do vale, afirmou Daniel Shugar, geólogo da Universidade de Calgary, no Canadá. Shugar disse que ainda é cedo para descartar outros fatores que possam ter contribuído para as inundações.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a relatar que o incidente foi causado por um terremoto de magnitude 4,4, mas corrigiu a informação. O órgão afirmou que a energia sísmica foi, na verdade, liberada pelo colapso da geleira e pelo fluxo de detritos.
Simon Cook, glaciologista da Universidade de Dundee, na Escócia, comparou o caso a um evento ocorrido na Índia em 2021. Naquela ocasião, o rompimento de uma geleira no estado de Uttarakhand causou inundações que mataram mais de 100 pessoas.
A região do Himalaia enfrenta o derretimento de geleiras, o que torna a área propícia para que terremotos e avalanches liberem torrentes de água. O Itamaraty informou que não há registro de brasileiros entre as vítimas.

