O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (26), que não recuou da promessa de prestar contas sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. O parlamentar disse que a produtora Go Up Entertainment já apresentou a documentação às autoridades em São Paulo e que os dados foram divulgados pela imprensa.
Em maio, após a revelação de áudios em que pedia R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Flávio Bolsonaro prometeu transparência sobre o contrato em 30 dias. Questionado sobre a demora, o senador declarou que a prestação de contas ocorreu dentro de uma investigação em São Paulo e que não cabe a ele dar explicações sobre a relação privada do filme.
A empresária Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, informou por e-mail que a documentação foi entregue às autoridades competentes. Ela afirmou que, por orientação jurídica e deveres de confidencialidade, não pode divulgar publicamente contratos ou documentos financeiros.
Documentos anexados ao inquérito da Polícia Civil de São Paulo indicam que a produção do longa custou ao menos R$ 75,1 milhões. A perícia contratada pela própria empresária aponta gastos de R$ 54 milhões no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil, totalizando US$ 13,39 milhões, embora a obra tenha sido filmada em território brasileiro.
A apuração da Polícia e do Ministério Público busca verificar se houve uso de recursos públicos na produção do filme. Karina da Gama é alvo de inquérito sobre um contrato de R$ 108 milhões para instalação de wi-fi na periferia de São Paulo, firmado com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que pertence à empresária e divide o endereço com a produtora.
A perícia apresentada no processo não incluiu recibos ou notas fiscais dos gastos, nem detalhou a origem do dinheiro utilizado na produção. Flávio Bolsonaro, que pressionava pelos pagamentos junto a Vorcaro, rebateu as críticas dos repórteres dizendo que o governo federal é quem deve explicações por reuniões com o banqueiro e com Augusto Lima.


