O músico, cantor e compositor uruguaio Rubén Rada morreu nesta quarta-feira (26), aos 83 anos, em Montevidéu. O artista, referência da comunidade afro-uruguaia, estava hospitalizado desde o dia 4 de agosto com um quadro de pneumonia bilateral e suas complicações, conforme informou a família em comunicado nas redes sociais.
Rada, conhecido como “Negro Rada”, teve uma trajetória marcada pela fusão do candombe com o rock and roll e o jazz. Iniciou a carreira profissional no grupo El Kinto e integrou a banda Tótem, onde ajudou a redefinir a música de seu país. Ao longo da vida, lançou mais de 40 discos e recebeu o Grammy de Excelência Musical em 2011.
O artista estava em preparação para iniciar uma turnê em outubro. Seu último trabalho de estúdio, intitulado Garmurgatrónica, foi lançado em 2025. Entre seus maiores sucessos no mercado latino estão as canções “Loco de amor”, de 1998, e “Muriendo de Plena”, de 2000.
O histórico médico recente do músico incluía uma angioplastia coronária em 2015 e uma internação por pico de pressão arterial em 2017. Em entrevistas à imprensa, Rada relatou ter começado a atuar em bares e navios ao redor do mundo, orgulhando-se de sua origem humilde.
O cantor mantinha fortes vínculos com o Brasil, país de nascimento de sua mãe, natural de Santana do Livramento. Em setembro do ano passado, apresentou-se no Rio de Janeiro, no festival Medio y Medio. Em 2021, gravou um disco em homenagem ao Brasil, intitulado “As noites do Rio / Aerolineas Candombe”, com letras do poeta Ronaldo Bastos.
Rada participou do IV Festival da Canção em 1969 e manteve contato com artistas brasileiros durante o exílio de nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. O músico afirmou que a bossa nova e artistas como Tom Jobim e Vinicius de Moraes influenciaram sua obra desde a infância.

