O colapso de uma geleira provocou inundações catastróficas e atividade sísmica na fronteira entre o Nepal e a região autônoma do Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). O número de mortos subiu para pelo menos 160, enquanto autoridades buscam centenas de desaparecidos em áreas devastadas por fluxos de detritos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou nesta quinta-feira (27) que a atividade sísmica registrada inicialmente como um terremoto foi, na verdade, um colapso glacial. Segundo a agência, o evento gerou um fluxo de detritos que provocou consequências graves a jusante. Especialistas apontam que a avalanche ocorreu em uma região do Himalaia afetada pelo aquecimento global.
A polícia do Nepal relatou 157 mortos. Já a emissora estatal chinesa CCTV informou três mortes e 265 desaparecidos no condado de Gyirong, no Tibete. Imagens de drones registraram estradas destruídas e edifícios soterrados por águas turbulentas com coloração de cimento molhado.
Autoridades nepalesas informaram que 403 pessoas estão desaparecidas, sendo 341 estrangeiros. Sunil Sharma, porta-voz da agência de turismo, disse que 133 desses desaparecidos eram indianos em peregrinação ao Monte Kailash, local sagrado para hindus. O grupo inclui ainda 47 americanos, 34 australianos, 33 britânicos e 24 canadenses.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou estar ciente dos cidadãos americanos afetados. Outros 62 nepaleses desapareceram enquanto faziam trekking na área do Lago Gosaikunda, no distrito de Rasuwa, região atingida pela tempestade durante o festival local de Janai Purnima.
Embora a temporada de monções seja desfavorável para caminhadas no Nepal, o período é considerado importante para o trekking do Kailash, que utiliza a rota no distrito de Rasuwa.

