A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora da saúde dos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira (26) o Rasonque (daraxonrasib), novo medicamento para o tratamento de câncer de pâncreas metastático. A droga é indicada para pacientes que já passaram por quimioterapia e atua bloqueando a multiplicação de células cancerígenas.
Em ensaios clínicos, o fármaco fabricado pela Revolution Medicines reduziu em 60% o risco de morte. A sobrevida mediana dos participantes que utilizaram o medicamento foi de 13,2 meses, enquanto o grupo submetido à quimioterapia padrão apresentou média de 6,7 meses.
O medicamento, administrado por meio de dois comprimidos diários, foca em mutações no gene KRAS, presentes em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Esse gene funciona como um interruptor de crescimento celular que, ao sofrer mutação, permanece ligado e provoca a proliferação descontrolada de células.
O daraxonrasib age conectando-se à molécula ciclofilina A para bloquear os sinais do KRAS ativo. A técnica supera a dificuldade de atingir a superfície lisa da proteína KRAS, o que impedia a eficácia de remédios tradicionais.
Entre os efeitos colaterais relatados estão náusea, fadiga, diarreia e erupções cutâneas. Contudo, a apuração indica que a probabilidade de interrupção do tratamento por reações graves foi menor do que na quimioterapia, com relatos de redução de dor e melhora na qualidade de vida.
Desde maio, mais de 2.000 pacientes tiveram acesso antecipado e gratuito ao fármaco por meio de um programa de acesso expandido da empresa. A Revolution Medicines e outras companhias testam agora dezenas de drogas semelhantes contra a KRAS, inclusive em combinações com imunoterapia.
Um homem de 79 anos, residente próximo a Salt Lake City, participou de ensaio clínico no fim de 2022. Após o início do tratamento, o tumor, que havia se espalhado para os gânglios linfáticos, deixou de ser detectado em exames de imagem.

