A Prefeitura do Rio de Janeiro e a agência Invest.Rio planejam transformar a cidade em um centro de tecnologia e inovação da América Latina por meio do projeto Rio AI City. O hub, localizado na Barra da Tijuca, visa atrair data centers e empresas de inteligência artificial, nuvem, telecomunicações e cibersegurança.
O complexo foi desenvolvido em cooperação entre a prefeitura, o governo federal e a Elea Data Centers. A estrutura terá capacidade inicial de 1,5 GW de energia 100% renovável, com possibilidade de expansão para 3,2 GW. Segundo Sidney Levy, presidente da Invest.Rio, a oferta de energia limpa em escala é o diferencial para atrair a alta demanda de processamento desses empreendimentos.
A Elea Data Centers anunciou um aporte inicial de US$ 550 milhões em junho. Alessandro Lombardi, presidente da empresa, projeta que o investimento total da companhia supere US$ 10 bilhões, podendo atingir US$ 50 bilhões ao somar os equipamentos de informática e servidores trazidos pelos clientes. As obras devem começar no primeiro trimestre de 2027, com execução prevista para um período de sete a dez anos.
A fase de construção estima a criação de 10 mil empregos diretos. O Rio de Janeiro é a segunda maior região de data centers do Brasil, com 76 MW de potência em operação, 63 MW em construção e 40 MW planejados. Empresas como Cirion Technologies, em São Cristóvão, e Ascenty, na Pavuna, já operam na cidade.
Especialistas apontam que a rede elétrica ociosa do Rio, diferentemente de São Paulo, facilita a instalação de infraestruturas de alto consumo. Outras iniciativas incluem o Porto Maravalley, na Zona Portuária, e o investimento de R$ 300 milhões da chinesa BYD para construir um Centro de Testes e Avaliação Automotiva no complexo do Aeroporto Internacional do Galeão, focado em direção autônoma.
Para sustentar o crescimento, a cidade conta com a formação de cerca de 10 mil profissionais anuais em áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Instituições como o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Fundação Getulio Vargas (FGV) são citadas como bases para a oferta de mão de obra qualificada.


