O desembargador Roberto Nussinkis Mac Cracken, presidente da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou o bloqueio provisório de imóveis e quotas da LP Administradora de Bens. A empresa concentra parte do patrimônio da família Fares, atual controladora da rede de varejo Marabraz, nesta quinta-feira (27).
A medida ocorreu após o magistrado admitir recurso especial apresentado pelos irmãos Nasser e Jamel Fares, filhos do fundador Abdul Hamid Fares. O recurso questiona a transferência de quotas da administradora para os netos do fundador, Abdul e Nader Fares. O caso será analisado pelo Superior Tribunal de Justiça.
O tribunal paulista concedeu efeito suspensivo parcial ao processo. Com isso, foram restabelecidas as indisponibilidades sobre as quotas e os imóveis, embora o desembargador tenha rejeitado o pedido de intervenção judicial na empresa.
A defesa de Abdul Fares informou que não há risco concreto de esvaziamento de ativos que justifique a medida. A representação legal afirmou que o patrimônio da LP Administradora não deve ser tratado como se pertencesse à Marabraz.
A disputa familiar acontece simultaneamente ao pedido de recuperação judicial da rede de móveis e eletrodomésticos, protocolado no dia 15 de agosto. O processo envolve cinco empresas ligadas à operação e um passivo de R$ 140,188 milhões.
Em nota, a Marabraz confirmou o pedido de recuperação judicial e alegou enfrentar dificuldades financeiras e de liquidez. A companhia informou que a medida visa reorganizar as dívidas para assegurar a continuidade dos negócios. As lojas permanecem abertas e em operação.

