Equipes de resgate procuram nesta quinta-feira (27) cerca de 1.300 pessoas desaparecidas após inundações e deslizamentos de terra na fronteira entre o Nepal e o Tibete, região autônoma da China. Pelo menos 180 pessoas morreram, sendo 177 no território nepalês e três no lado chinês, segundo balanços oficiais preliminares.
No Nepal, a enxurrada atingiu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, e o vale do Bhote Koshi, a leste de Katmandu. O Escritório de Turismo informou que 823 pessoas seguem desaparecidas, das quais 517 são turistas estrangeiros. Entre os não localizados estão 178 indianos, 65 estadunidenses, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos, 25 canadenses e quatro espanhóis.
No lado chinês, o deslizamento de lama atingiu o porto de Gyirong, área de comércio internacional. A imprensa estatal informou que 558 pessoas desapareceram no local, incluindo 260 estrangeiros. O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a mobilização de recursos para as buscas, afirmando que a tarefa mais urgente é resgatar os desaparecidos.
A força da torrente foi registrada como um evento sísmico de magnitude 5,2 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A apuração indica que o fenômeno foi provocado pelo desmoronamento de uma geleira, que teria causado uma avalanche de gelo no rio Lhende, aumentando o volume de água no sistema do Bhote Koshi.
David Fisher, diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, afirmou que povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos. O Exército nepalês realiza sobrevoos e resgatou dezenas de pessoas, enquanto moradores de áreas de risco receberam ordens para deixar suas casas.
Especialistas alertam para o risco de uma segunda inundação devido a um bloqueio no curso de um rio na fronteira entre os dois países. Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), explicou que a obstrução na parte alta do rio mantém o alerta.
Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil em ajuda. O dalai-lama manifestou-se nesta quinta-feira, informando que reza pelas vítimas e pedindo medidas de ajuda adequadas.


