Companhias aéreas no Brasil cancelaram quase 10 mil voos programados entre maio e julho deste ano, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas. A medida é uma resposta à pressão nos custos operacionais causada pela alta de 49% no preço do querosene de aviação (QAV) registrada até agosto.
Desde o início dos conflitos no Oriente Médio, o setor aéreo gastou R$ 5,2 bilhões a mais com o combustível, reflexo da subida do petróleo no mercado internacional. O insumo, que representava 32% dos custos das empresas antes da guerra, agora corresponde a 39% das despesas totais.
Os cancelamentos impactaram as projeções feitas pelas companhias no final de 2025. A média de cortes foi de 93 voos por dia em maio, 121 em junho e 114 em julho.
O cenário a médio prazo é considerado desafiador pelas empresas. O setor aponta o fim da isenção do PIS/Cofins sobre o QAV, medida do governo para conter a crise, e a implementação da reforma tributária como fatores de risco.
A avaliação indica que prejuízos de milhões de dólares, anunciados recentemente pela Azul e pelo Grupo Abra, controlador da Gol, podem ser a primeira etapa de um período financeiro mais difícil para as operadoras.


