Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) registraram em julho o maior número de atrasos na entrega de informes mensais do ano. Segundo a empresa de inteligência Uqbar, 46 fundos de 12 administradores diferentes não enviaram as informações do mês anterior, elevando o alerta sobre a transparência do setor.
O cenário ocorre enquanto fundos estruturados atraem novos investimentos, somando R$ 108 bilhões captados no ano. O patrimônio total dos FIDCs atinge R$ 802,7 bilhões, com captação anual de R$ 61,6 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) até 20 de agosto.
Alfredo Marrucho, sócio da Uqbar, afirmou que a ausência de informes é um descumprimento de obrigação básica de supervisão. Segundo Marrucho, as falhas se concentram em administradores ligados a grupos em processos judiciais ou investigações criminais, como a CBSF — antiga Reag Trust DTVM, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro —, WNT, Planner e Banvox. O executivo disse que a presença de outras instituições, como QI e Oslo, indica que o problema não se restringe a esse grupo.
A Anbima reforçou neste mês a importância do envio periódico de documentos de FIDCs, fundos imobiliários (FII) e demonstrações contábeis de fundos de investimento em participações (FIP). Audrey Almeida, gerente de Supervisão de Ações Preventivas e Cadastros da Anbima, informou que a supervisão precisa acompanhar o crescimento desses veículos para garantir a qualidade da base de dados.
Almeida declarou que o volume de fundos questionados é pequeno em relação ao total. Foram 120 FIDCs com pendências em um universo de mais de 4 mil classes. No caso dos FIPs, 60 fundos foram questionados entre mais de 2 mil carteiras. A gerente explicou que, se as inconsistências não forem resolvidas, a entidade pode abrir procedimentos de apuração de irregularidade para verificar a governança das instituições.
O aumento da falta de dados acontece em um período de maior preocupação do mercado com a saúde dos veículos de crédito, devido a sucessivas recuperações judiciais e ao temor de uma desaceleração econômica.

