O Museu Yayoi Kusama e a Fundação Yayoi Kusama anunciaram, nesta quinta-feira (27), a morte da artista japonesa aos 97 anos. Ela faleceu no dia 14 de agosto, em um hospital de Tóquio. O comunicado oficial não informou a causa do óbito.
Kusama tornou-se referência global por suas “Salas Infinitas”, instalações que utilizam espelhos e luzes para simular espaços sem fim, além de esculturas de bolinhas em larga escala. A artista relatou que as obras eram expressões de sua vida e de sua doença mental, canalizando alucinações que teve desde os 10 anos de idade para a criação artística.
Nascida em 22 de março de 1929, a artista enfrentou resistências familiares e pressões por casamentos arranjados no Japão. Em 1958, mudou-se para Nova York com apoio financeiro da mãe, sob a condição de que jamais retornasse ao país. Nos Estados Unidos, integrou a vanguarda artística e produziu a série “Infinity Net”, com padrões repetitivos.
Stephan Diederich, curador de retrospectiva da artista em Colônia, afirmou que a arte era para ela uma estratégia de sobrevivência e terapia. Kusama também abordou a desigualdade salarial entre gêneros em obras como “Traveling Life” (1964) e criticou a comercialização da arte na Bienal de Veneza, em 1966, ao tentar vender esferas espelhadas por 2 dólares cada.
A artista retornou ao Japão em 1973 e passou a viver em uma clínica psiquiátrica em Tóquio. Mesmo sob tratamento, manteve a produtividade em pinturas e instalações. Nos últimos anos, alcançou recordes de público em museus de Los Angeles e Londres, com obras vendidas por milhões em leilões.

