A XP revisou a projeção da taxa Selic para o encerramento de 2026, reduzindo a estimativa de 14% para 13,25%. A mudança, detalhada em relatório divulgado na noite de quarta-feira (26), reflete a percepção de que a desinflação e a desaceleração da atividade econômica ocorreram antes do previsto pela instituição.
A nova estimativa implica uma redução de 0,75 ponto percentual até dezembro, distribuída pelas reuniões restantes do calendário. A corretora é a primeira grande instituição financeira a ajustar a projeção após os dados do IPCA-15. O time de economia, liderado pelo economista-chefe Caio Megale, informou que leituras recentes de inflação e atividade vieram abaixo das expectativas, enfraquecendo o argumento para uma pausa no ciclo de quedas.
A casa aponta que o estímulo fiscal não impulsionou a demanda devido ao endividamento elevado de consumidores e empresas. Segundo dados do Banco Central citados no relatório, o comprometimento de renda das famílias está acima de 28%, atingindo máximas históricas. Indicadores de produção industrial, receita de serviços e vendas no varejo também apresentaram fraqueza.
No campo da inflação, as medidas de núcleo do IPCA estão ligeiramente abaixo de 4%, contra cerca de 5% em meses anteriores. A média móvel de três meses do IPCA-15 caiu de 7,24% em junho para 2,70% em agosto. Com esse cenário, a XP espera um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.
A projeção de crescimento do PIB para 2026 é de 2,0%, mas com viés baixista. Para 2027, a estimativa de expansão é de 1,0%, patamar que deve acelerar o ritmo de cortes dos juros para 0,50 ponto percentual a partir de março daquele ano. A projeção da Selic para 2027 permanece em 11,50%.
Riscos permanecem no radar, como a aceleração dos preços de alimentos devido ao El Niño e o possível realinhamento dos combustíveis após as eleições. A XP também mencionou a discussão no Congresso Nacional sobre a mudança na jornada de trabalho 6×1, o que poderia elevar custos trabalhistas no futuro.


