Autoridades dos Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (26), a interrupção de uma campanha de hacking operada por um grupo patrocinado pelo governo chinês. A operação, que durou anos, visou instituições como a NASA, o Senado e o Federal Reserve, além de infraestruturas críticas de energia e saúde.
O Departamento de Justiça (DOJ) informou que apreendeu domínios de internet usados pelas plataformas QScan e QTRouter. Segundo o FBI, essas ferramentas eram utilizadas por agentes do governo chinês para ocultar a origem dos ataques contra redes sensíveis e infraestruturas essenciais do país.
Um documento do FBI aponta que o grupo, identificado como QTFY, teria visado os departamentos de Energia, Justiça e Saúde, além dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH). A apuração indica que redes de hospitais, provedores de telecomunicações, companhias elétricas, instituições financeiras e contratantes de defesa também foram alvos.
O grupo seria composto por ex-membros do Exército de Libertação Popular da China, que utilizariam seus vínculos militares para obter contratos de operações cibernéticas ofensivas. Os agentes teriam sido empregados pela empresa Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company para realizar atividades maliciosas em nome do governo chinês.
Nem todas as tentativas de intrusão foram bem-sucedidas. Em agosto de 2019, o grupo falhou ao tentar invadir o servidor da NASA. Já em março e junho de 2026, tentativas de acesso ao Senado, a um sistema hospitalar e a um sistema eleitoral foram frustradas, conforme relatório conjunto do FBI, da Agência de Segurança Nacional (NSA) e do Comando Cibernético.
O procurador-geral Todd Blanche afirmou que a operação é uma questão grave de segurança nacional. Ele informou que as autoridades compartilharam os dados com o setor privado para evitar novos ataques. O DOJ não especificou se houve prisões ou indiciamentos.
Em resposta, a Embaixada da China em Washington declarou que o país é um defensor da cibersegurança. Um porta-voz afirmou que Pequim se opõe ao uso do conceito de segurança nacional pelos EUA como pretexto para impor restrições discriminatórias a empresas chinesas.

