Nove candidatos a deputado em Goiás desistiram da disputa nas primeiras datas da campanha para 2026, segundo o sistema da Justiça Eleitoral. O grupo inclui cinco postulantes a deputado estadual e quatro a federal, evidenciando a dificuldade de candidatos sem mandato competirem com nomes que já possuem estrutura e recursos.
Entre as desistências para a Assembleia Legislativa estão Ana Paula da 44 (PL), Terapeuta Ariel Luz (PT), Agenor Curado (Novo), Lisieux (PSDB) e Raimundo da Casa da Saúde (PSD). Para a Câmara Federal, renunciaram Felisberto Tavares (PP), Nicolina Tia Nicola (MDB), Cabo Lorrane (PRD) e Pedro Sales (PSD).
O advogado eleitoralista Julio Meirelles afirma que o financiamento é um dos principais fatores para as desistências. Segundo Meirelles, a concentração de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) em partidos e candidaturas com maior representação parlamentar reduz a competitividade de quem tenta entrar na política.
O mestre em História Tiago Zancopé explica que, mesmo com verbas partidárias, o candidato proporcional enfrenta gastos básicos elevados com carros, motoristas, coordenadores e redes sociais. Zancopé argumenta que quem já possui mandato utiliza o exercício do cargo para manter redes políticas permanentes, enquanto o novato precisa construir esse apoio em tempo reduzido.
A cláusula de barreira também é apontada como barreira. Para 2026, a regra exige 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em ao menos um terço dos estados, com mínimo de 1,5% em cada. Meirelles afirma que isso condiciona o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita, reforçando a concentração de poder.
Atualmente, 590 candidatos disputam 41 vagas de deputado estadual em Goiás, enquanto 259 concorrem a 17 cadeiras de deputado federal. Para Zancopé, o volume de nomes não garante renovação, pois a profissionalização das campanhas favorece quem já detém o mandato.

