A artista japonesa Yayoi Kusama morreu aos 97 anos, no dia 14 de agosto de 2026, em um hospital de Tóquio. Reconhecida mundialmente por suas obras com bolinhas e esculturas de abóboras, Kusama manteve a produção artística até os últimos dias, segundo a sociedade responsável por sua obra.
A trajetória da artista foi marcada por controvérsias ligadas a trechos de sua autobiografia publicada em 2002. No livro, Kusama descreveu pessoas negras como “seres primitivos e hiper-sexualizados”. A obra original em japonês também trazia relatos sobre o bairro onde morava em Nova York, chamando a região de “favela” e atribuindo a queda nos preços dos imóveis a confrontos entre negros e a presença de moradores de rua.
As declarações provocaram críticas intensas em 2023, durante a organização de uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Francisco, nos Estados Unidos. Na ocasião, a artista pediu desculpas pela linguagem ofensiva e afirmou que sua intenção sempre foi defender valores de amor, esperança, compaixão e respeito por todas as pessoas.
O episódio levou a direção do museu a discutir como apresentar as contradições da artista de forma aberta e contextualizada. Christopher Bedford, então diretor da instituição, informou que a discussão permitiria a franqueza sobre a relação do museu com o antirracismo e a análise de como expor assuntos difíceis com nuances.
Nascida em 1929, Kusama começou a produzir padrões de pontos e redes aos 10 anos, inspirada por alucinações na infância. Mudou-se para Nova York no fim dos anos 1950, onde integrou a vanguarda artística e participou de performances nos anos 1960. A série “Infinity Mirror Room” tornou-se uma de suas produções mais conhecidas.
Nos anos 1970, a artista retornou ao Japão e ingressou voluntariamente em uma clínica psiquiátrica em Tóquio, onde viveu e trabalhou até a morte. Tim Cook, CEO da Apple, descreveu Kusama como uma “verdadeira visionária” e afirmou que sua criatividade fez o mundo da arte avançar.

