Fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro e Bitcoin atraíram US$ 7 bilhões nos últimos cinco pregões, volume recorde impulsionado pela apreensão com o endividamento dos Estados Unidos. A captação simultânea reflete a estratégia de investidores em buscar ativos de oferta limitada diante da desvalorização do dólar e da queda dos juros longos.
O SPDR Gold Shares (GLD), da State Street Investment Management, recebeu quase US$ 3,4 bilhões. Já o iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT), da BlackRock, captou US$ 1,5 bilhão. Ambos figuraram entre os dez ETFs americanos com maior entrada de capital na semana, atrás apenas de fundos como o Vanguard S&P 500 ETF (VOO).
O movimento foi catalisado pelo plano do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de dobrar as recompras de títulos longos do Tesouro. A medida derrubou inicialmente os juros e a moeda americana, favorecendo ativos cujas ofertas estão fora do controle governamental.
Gautam Chhugani, analista sênior do Bernstein, afirmou em relatório que o fim da era de queda de juros expõe governos a custos crescentes de serviço da dívida, enquanto os níveis de dívida soberana atingem máximas inéditas. Para o analista, ativos como o Bitcoin, que não podem ser diluídos, beneficiam os investidores.
O fenômeno, chamado de “debasement trade”, baseia-se na tese de que pressões fiscais reforçam o valor de ativos escassos. O ouro mantém o status de porto seguro, enquanto o Bitcoin, com oferta fixa de 21 milhões de unidades, atua como refúgio contra políticas governamentais.
O bilionário Ray Dalio recomendou a redução de posições em renda fixa e a alocação de até 15% do capital em ouro, além de uma parcela em Bitcoin, para mitigar riscos de crise da dívida americana. No mês, o ouro subiu cerca de 13%, superando US$ 4.600 por onça, e o Bitcoin ultrapassou US$ 80 mil.
Hardika Singh, estrategista da Fundstrat, avalia que a tese de desvalorização monetária pode estar perdendo força. Segundo a analista, as ações podem ser uma proteção mais confiável, embora ouro e Bitcoin ainda possam subir por outros motivos.


