A Alphabet, controladora do Google, registrou a perda de US$ 692 bilhões em valor de mercado após as ações acumularem queda de 15% em relação ao pico atingido em 13 de maio. O recuo reflete a crescente desconfiança de investidores sobre a posição da companhia na corrida da inteligência artificial (IA).
A correção ocorre em meio a gastos bilionários para expansão de infraestrutura e atrasos no lançamento do modelo Gemini 3.5 Pro. Analistas indicam que a empresa busca melhorias em capacidades de programação, área onde rivais como OpenAI e Anthropic são vistas como líderes. Recentemente, a Alphabet lançou o Gemini 3.7 Flash, mas não forneceu nova previsão para a versão 3.5 Pro.
O cenário foi agravado pela saída de profissionais estratégicos. Jeff Dean, figura central na estratégia de IA, deixou a companhia para fundar uma startup, levando colegas de alto escalão. Demis Hassabis também deixou o cargo de CEO da divisão Google DeepMind para assumir a presidência do laboratório. Em 5 de agosto, a saída de talentos contribuiu para uma queda de 4% nas ações em um único pregão, eliminando US$ 186 bilhões.
Em comunicado, o Google afirmou que seu ritmo de desenvolvimento de produtos de IA está no nível mais alto de sua história. A empresa informou que o Gemini 3.7 Flash é o modelo de crescimento mais rápido já lançado e que a família Gemma superou um bilhão de downloads. A companhia aposta no sucesso de seus chips proprietários TPU e em sua capacidade computacional.
Investidores, contudo, questionam o custo da estratégia. No início de agosto, a Alphabet captou US$ 25 bilhões no mercado de títulos, o que reacendeu dúvidas sobre o volume de recursos necessários para sustentar a expansão. O mercado pressiona as gigantes de tecnologia por evidências concretas de que os investimentos em data centers e infraestrutura se convertam em lucros consistentes.
A fragilidade dos papéis também pode refletir uma rotação de mercado. Enquanto a Alphabet caiu após resultados no fim de julho, a Microsoft avançou mais de 25% no mesmo período, impulsionada pelo crescimento de sua divisão de computação em nuvem. Analistas apontam que o fluxo de caixa livre negativo e a previsão de crescimento de gastos de capital para o próximo ano incomodam o mercado.

