O empresário e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, presta depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (27), desde as 10h. A oitiva ocorre por videoconferência da Papudinha, setor do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde Vorcaro cumpre prisão preventiva por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diferente de ocasiões anteriores, o empresário informou à equipe policial que responderá a todas as perguntas. O interrogatório marca a estreia do advogado criminalista Daniel Bialski na defesa do ex-banqueiro, que atua ao lado de Sérgio Leonardo. A defesa busca reabrir negociações para um acordo de delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O depoimento foca nas investigações da Operação Compliance Zero. A PF apura se dois ex-servidores do Banco Central (BC), Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão de Bancos, e Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização, receberam vantagens indevidas para repassar informações sigilosas e orientações sobre reuniões institucionais ao Banco Master.
A defesa de Vorcaro nega as acusações de corrupção ativa e passiva. Segundo interlocutores do empresário, os contatos com os funcionários do BC eram estritamente institucionais, sem a geração de favorecimentos para a instituição financeira ou benefícios financeiros para os servidores públicos.
A transferência de Vorcaro para a Papudinha foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF, após pedido da PF e aprovação da PGR. O ministro classificou o esquema envolvendo o banco como uma organização criminosa com “contornos de máfia”. As autoridades apontam indícios de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e constituição de organização criminosa.
O caso ganhou dimensão após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo BC em novembro de 2025. A PF apurou que houve a atuação de uma milícia digital para proteger a imagem do grupo e atacar fiscais do Banco Central. O depoimento desta quinta-feira servirá para a PF colher novos elementos comprobatórios e avaliar a possibilidade de uma nova delação.

