O senador Carlos Viana (PSD-MG) iniciou uma articulação no Congresso Nacional para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeitas de tráfico de influência e obtenção de vantagens no governo federal.
Viana afirmou que o requerimento já conta com o apoio de parlamentares de diversos partidos nas duas Casas. Na Câmara, há assinaturas de integrantes do PL, MDB, Novo, PP, União Brasil, PSD, Podemos e PSDB. No Senado, aderiram membros do PL, PSD, PP, PSDB e Republicanos. O senador, que presidiu a CPMI do INSS, declarou que a instalação do colegiado está próxima.
Para que a CPMI seja apresentada, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores, o que corresponde a um terço dos integrantes de cada Casa. O documento deve indicar um fato determinado e estabelecer o prazo de funcionamento. Após o protocolo, cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), verificar os requisitos para a instalação.
A ofensiva ocorre enquanto a Polícia Federal (PF) conduz três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre tráfico de influência. Dois casos estão sob a relatoria do ministro André Mendonça e um com o ministro Flávio Dino. Uma das frentes apura se Lulinha favoreceu interesses do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes no Ministério da Saúde, envolvendo testes de dengue e medicamentos de canabidiol, embora a PF indique que não houve contratos firmados.
Outras investigações analisam a atuação do filho do presidente na Dataprev e em benefício de empresas parceiras. Recentemente, a PF passou a apurar indícios de uma sociedade informal entre Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar, proprietário formal do sítio de Atibaia, para obter vantagens privadas por meio de influência política.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade ou tráfico de influência e tem contestado a divulgação de informações sigilosas dos inquéritos. Viana informou que divulgará a lista de parlamentares que assinaram o requerimento em coletiva de imprensa na próxima segunda-feira.

