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Mundo

Italiano é preso por criar falso anfiteatro romano para turistas

Carla Fernandes
Última atualização: 27 de agosto de 2026 12:50
Carla Fernandes
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Tempo: 3 min.
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Franco Malosso, de 69 anos, começou a cumprir em janeiro deste ano uma pena de dois anos e quatro meses de prisão em Ventimiglia, no norte da Itália. Ele foi condenado por converter uma construção moderna em um suposto sítio arqueológico da Antiguidade, conhecido como Anfiteatro Berico, para atrair turistas à província de Vicenza.

A estrutura, localizada em Arcugnano, era apresentada como um complexo de quase 1.700 anos com vestígios do período neolítico, da Grécia Antiga e do Império Romano. Malosso afirmava que o local datava de 393 d.C. e teria sido revelado por um deslizamento de terra em 2005. Os ingressos para as visitas guiadas chegavam a custar 40 euros.

Investigações iniciadas em 2016, após denúncia da prefeitura de Arcugnano, revelaram que o complexo foi erguido há menos de 15 anos em uma área de 5 mil metros quadrados. A polícia e autoridades de patrimônio cultural identificaram o uso de blocos modernos envelhecidos artificialmente, colunas de concreto, estátuas de gesso e fibra de vidro. Imagens de satélite confirmaram a modificação da colina antes da instalação do sítio.

Para atrair visitantes, o fraudador alegava que figuras como o imperador Júlio César e a rainha Cleópatra frequentaram o local. Malosso também associava o espaço à personagem Julieta, de William Shakespeare. O falso anfiteatro chegou a constar em aplicativos de turismo e em um guia financiado pela União Europeia.

A condenação tornou-se definitiva em dezembro de 2021, quando a Corte de Cassação rejeitou o último recurso da defesa. Além da prisão, a Justiça fixou uma multa de 3 mil euros e determinou que Malosso indenize o município em 560 mil euros. A sentença também ordenou a demolição do complexo e a recuperação da colina ao estado original.

Durante o processo, Malosso mudou a versão dos fatos. Primeiro alegou ter descoberto um sítio autêntico e, posteriormente, afirmou ter apenas reconstruído uma estrutura antiga. Especialistas ouvidos por agências internacionais informaram que a localização rural de Arcugnano tornava improvável a existência de um anfiteatro romano, que geralmente eram construídos próximos a centros urbanos.

TAGGED:fraude-arqueologicaItáliaJustiçaPatrimônio Culturalturismo
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