A Caixa Econômica Federal superou a marca de R$ 1 trilhão em saldo na carteira de crédito imobiliário no segundo trimestre de 2026. O montante representa um crescimento de 15% em 12 meses e de 4% em relação ao trimestre anterior, detendo 67,7% da oferta desse crédito no Brasil.
O crédito habitacional corresponde a 69,4% da carteira de crédito total do banco, que somou R$ 1,448 trilhão com alta anual de 11,9%. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) financiou 61,5% das operações, totalizando R$ 618 bilhões, enquanto recursos próprios da instituição alcançaram R$ 387 bilhões.
O resultado foi apoiado pelo aumento de 3,9% nos depósitos de poupança, que chegaram a R$ 405,6 bilhões, e pela alta de 21,8% nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), que somaram R$ 271 bilhões. No primeiro semestre, as contratações do programa Minha Casa Minha Vida atingiram R$ 73,5 bilhões, salto de 38% na base anual.
O lucro líquido recorrente da Caixa foi de R$ 3,9 bilhões no período, alta de 5,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, afirmou que os números são significativos diante de um cenário desafiador para o mercado financeiro.
A rentabilidade, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), caiu para 9,16%. A queda foi motivada por um aumento de 97,6% nas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa, que somaram R$ 7 bilhões. A administração do banco atribuiu o salto a novas regras do Banco Central sobre perdas esperadas.
A inadimplência geral, para atrasos acima de 90 dias, fechou o trimestre em 3,64%. Já a inadimplência específica da carteira habitacional recuou de 1,60%, em março, para 1,45% em junho. O vice-presidente financeiro, Marcos Brasiliano, informou que a margem financeira bruta cresceu 20,2%, atingindo R$ 19,664 bilhões.
No campo tecnológico, a instituição investiu R$ 2,5 bilhões no primeiro semestre. O banco atingiu 100% de empregados utilizando inteligência artificial e registrou a abertura de 5,2 milhões de contas digitais desde junho do ano passado, das quais 42% pertencem à Geração Z. A base total de clientes é de 160,4 milhões.

