O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) confirmou, nesta quinta-feira (27), a morte do ex-chefe militar sérvio-bósnio Ratko Mladic. O condenado por genocídio e crimes de guerra faleceu em um hospital de Haia, nas primeiras horas do dia, aos 84 anos.
A juíza uruguaia Graciela Gatti Santana determinou a abertura de uma investigação exaustiva para apurar as circunstâncias da morte. Segundo nota do TPII, Mladic estava internado na cidade holandesa no momento do óbito.
Mladic foi condenado em 2017 à prisão perpétua por crimes contra a Humanidade e genocídio. Ele foi considerado responsável pelo assassinato de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, em 1995, o massacre mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O juiz presidente Alphons Orie descreveu as ações do militar como estando entre as mais hediondas já conhecidas pela Humanidade.
O ex-comandante também foi culpado pelo cerco a Sarajevo, capital da Bósnia, que durou quase quatro anos e resultou na morte de 10 mil pessoas, incluindo 1.500 crianças. Durante o conflito, suas forças bombardearam a cidade e utilizaram franco-atiradores contra civis. Foram documentados ainda estupros de mulheres e a ocultação de corpos em valas comuns para apagar provas de crimes de guerra.
Capturado em 26 de maio de 2011 na vila de Lazarevo, no norte da Sérvia, Mladic permaneceu foragido por quase 16 anos. A prisão foi vista como um passo decisivo para a Sérvia tentar remover obstáculos à sua adesão à União Europeia, após anos de recusa do governo local em localizá-lo.
As atrocidades ocorreram durante a fragmentação da Iugoslávia no início da década de 1990, processo que deixou cerca de 100 mil mortos e 2,5 milhões de deslocados. Mladic liderou o Exército dos sérvios da Bósnia sob a influência do nacionalista Slobodan Milosevic, buscando garantir o domínio sérvio na região.

