Grupos de oposição do Flamengo encaminharam, na semana passada, um pedido de afastamento e impedimento estatutário do vice-presidente de Administração, Marcos Motta. A representação, enviada à Diretoria dos Conselhos, ao Conselho Deliberativo e à Presidência do Conselho Diretor, alega que o dirigente mantém atuação profissional no mercado do futebol enquanto ocupa o cargo.
O documento sustenta que Motta, sócio-fundador do escritório Bichara e Motta Advogados, atua em transferências de jogadores e treinadores, além de prestar consultoria para clubes e estruturação de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Entre os casos citados estão a transformação do Amazonas em SAF, a atuação junto ao Santa Cruz e a transferência do atleta Zé Lucas do Sport para o Cruzeiro.
A representação menciona ainda negócios envolvendo os atletas Yan Diomande, Manor Solomon e Francisco Trincão. Para os grupos, a atividade profissional é incompatível com a função de vice-presidente, devido ao acesso a informações estratégicas do clube, como orçamentos, limites financeiros e alvos de contratações.
O texto recorre ao caso de Rodolfo Landim para questionar a aplicação das regras internas. O ex-presidente foi impedido de exercer direitos políticos após o Flamengo considerar incompatível sua consultoria na estruturação da SAF do Confiança-SE. A oposição afirma que a atuação de Motta seria mais abrangente que a de Landim, classificando a diferença de tratamento como “dois pesos e duas medidas”.
Assinam o pedido os grupos Flafut, NossoFLA, PróFla, Sempre Flamengo, Sinergia, Vanguarda e Vencer. O documento cita declaração de Luiz Eduardo Baptista, presidente do Conselho Diretor, defendendo que deveria haver exclusividade ao Flamengo.
Motta foi procurado, mas não se manifestou. O Flamengo também não retornou as solicitações de explicações.

