A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) implementou um protocolo de respostas objetivas para evitar que novas declarações prolonguem a controvérsia sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador passa esta quinta-feira (27) em Brasília se preparando para uma sabatina no Jornal Nacional, marcada para sexta-feira.
A orientação dos estrategistas prevê que o candidato utilize frases curtas em temas sensíveis e redirecione o discurso para críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe trabalha também em uma peça de resposta para a propaganda eleitoral, que será utilizada apenas se a campanha do petista explorar o tema na televisão.
O desgaste envolve a negociação de R$ 134 milhões para a produção da obra, dos quais R$ 61 milhões teriam sido repassados. Segundo apuração da imprensa, os recursos transitaram por uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e pelo Havengate, fundo sediado no Texas. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro custeou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, embora não haja conclusão que confirme a tese.
A exposição do caso aumentou nesta semana após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a PF a acessar provas da Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora Go Up Entertainment. A medida ocorre no âmbito de uma apuração sobre a destinação de emendas parlamentares.
Flávio Bolsonaro afirma que os recursos são privados e que a prestação de contas já foi realizada pelos responsáveis pelo longa. A produtora apresentou à Polícia Civil uma perícia privada que calculou os gastos do filme em R$ 75,2 milhões, negando o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet na produção.
A estreia do filme, antes prevista para setembro, foi adiada para depois das eleições. O diretor-geral da distribuidora Europa Filmes, Wilson Feitosa, afirmou que a decisão de evitar o período eleitoral partiu da própria empresa, citando experiências negativas anteriores com produções lançadas em ciclos políticos.


