Mais de 15 pessoas denunciaram à Polícia Civil do Estado do Pará, nesta semana, a exposição de adolescentes em uma comunidade da plataforma Discord. Imagens de estudantes de Belém, retiradas de redes sociais e de perfis de familiares, eram utilizadas sem autorização em conteúdos de cunho sexual.
As vítimas, com idades entre 14 e 15 anos, relataram que fotos de situações cotidianas — como momentos de estudo, festas e convívio familiar — eram organizadas em rankings com classificações sexuais. O caso é investigado pela Divisão de Combate a Crimes Cibernéticos e foi encaminhado à Divisão de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DATA).
Segundo as famílias, três jovens maiores de 18 anos estariam envolvidos na coleta e divulgação do material. Um dos suspeitos seria estudante de Medicina em uma faculdade particular da capital paraense. O compartilhamento teria começado após o irmão de um dos jovens receber uma foto enviada por uma amiga e encaminhá-la ao grupo.
O Discord é alvo de investigações da Polícia Federal e de fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). No dia 18 de agosto, a plataforma suspendeu transmissões ao vivo e compartilhamento de tela no Brasil por determinação da agência, após processo iniciado em 7 de agosto para apurar falhas na proteção de menores.
Nesta quarta-feira (26), o governo brasileiro moveu uma ação civil pública para obrigar a empresa a adotar medidas preventivas contra crimes e ampliar a proteção de crianças e mulheres. A Advocacia-Geral da União (AGU) solicita que a plataforma seja condenada ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais e se adeque ao ECA Digital.
Dados da SaferNet Brasil indicam que as denúncias relacionadas ao Discord subiram de 264, no mesmo período de 2025, para 406 nos sete primeiros meses de 2026, alta superior a 54%. Em carta, a empresa afirmou trabalhar de boa-fé com a ANPD para restabelecer os serviços suspensos.


