A candidata da extrema-direita Marine Le Pen defendeu o corte drástico de gastos públicos para sanar as finanças da França nesta quinta-feira (27). A declaração ocorreu durante o primeiro debate presidencial, organizado pela Medef, principal associação empresarial do país, com a presença de rivais de diferentes espectros políticos.
O encontro foi marcado por tensões entre os candidatos, que trocaram acusações sobre a viabilidade de propostas relacionadas à dívida pública e ao sistema de aposentadorias. Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, afirmou que eliminaria subsídios a empresas e que “jogaria” parte da dívida no fogo. Le Pen rebateu a posição, enfatizando que efetuaria o pagamento do montante devido.
A discussão acontece em um cenário de fragilidade fiscal. Desde a pandemia, sucessivos governos enfrentam dificuldades no controle das contas, resultando em uma dívida recorde de 117% do Produto Interno Bruto (PIB) e um dos maiores déficits da zona do euro. O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu deve apresentar um projeto de lei ao Parlamento até 6 de outubro.
O debate serviu como teste para Le Pen perante executivos de grandes companhias, que mantêm ceticismo sobre suas competências econômicas. A candidata informou que os detalhes de seu programa serão divulgados nas próximas semanas. No evento, Raphael Glucksmann, do centro-esquerda, argumentou que a redução da imigração não resolveria a crise financeira.
O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, do centro-direita, classificou a proposta de fim de subsídios como perigosa e sugeriu que a população precisaria trabalhar por mais tempo para equilibrar as contas. Gabriel Attal, também do centro-direita, confrontou Le Pen sobre a gestão da dívida pública.
O mercado reagiu com nervosismo nesta quinta-feira, e as ações das principais empresas francesas atingiram a menor cotação em um mês. Uma pesquisa da OpinionWay para a Medef indica que 82% dos empresários estão pessimistas quanto ao impacto das políticas do próximo presidente sobre a economia, independentemente de quem seja eleito.
Pesquisas de opinião indicam que Le Pen deve vencer o primeiro turno das eleições em abril de 2027 por ampla margem. O segundo turno, previsto para maio, teria a candidata disputando a vaga contra Mélenchon ou Philippe.

