O governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão temporária dos processos de obtenção de vistos de imigrante destinados a quem busca residência permanente no país. A medida, que atinge brasileiros e estrangeiros de forma global, ocorre para que funcionários de embaixadas e consulados passem por um treinamento de padronização na análise de candidatos.
A interrupção foca em modalidades de residência permanente, incluindo processos de reunificação familiar e pedidos baseados em emprego que dependem de processamento consular. Vistos de não imigrante, como as categorias B1/B2 para turismo e negócios, além de vistos de estudantes, não foram afetados e seguem com fluxo normal, segundo o Departamento de Estado.
O treinamento global visa reforçar a análise do public charge (encargo público), critério que permite considerar inelegível o estrangeiro com propensão a depender de assistência pública. A administração do presidente Donald Trump pretende tornar as avaliações mais abrangentes, considerando idade, saúde, patrimônio, renda, educação e qualificação profissional.
A pausa ocorre após a juíza federal Jeannette Vargas, de Manhattan, derrubar na última sexta-feira (21) uma política que restringia vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil. A magistrada considerou que o secretário de Estado, Marco Rubio, excedeu sua autoridade ao impor restrições baseadas na nacionalidade.
Na prática, a medida atual resulta no reagendamento de entrevistas previamente marcadas. Embora haja informações de que a normalização ocorra até meados de setembro, o Departamento de Estado não divulgou um calendário oficial. Especialistas em Direito Internacional afirmam que o adiamento da entrevista não significa a negação do visto ou a perda de elegibilidade do candidato.
A mudança de estratégia indica que o governo americano substituiu a restrição automática por nacionalidade por uma triagem individual mais rigorosa. A expectativa é que, após a retomada, a análise da capacidade financeira e das circunstâncias pessoais dos requerentes seja mais severa nos postos consulares.


