Problemas de visão não diagnosticados em crianças podem comprometer o desempenho escolar, causar dificuldades de leitura e gerar comportamentos confundidos com transtornos como TDAH e dislexia. O alerta foi feito pelo presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), Leiser Franco, com base em um ensaio clínico realizado com 2.304 estudantes.
O estudo indicou melhora no desempenho de leitura no primeiro ano para crianças que receberam óculos, embora o benefício não tenha permanecido estatisticamente significativo após dois anos. Segundo Franco, o resultado mostra que a triagem isolada é insuficiente, sendo necessário garantir diagnóstico, tratamento e acompanhamento durante o desenvolvimento da criança.
Erros refrativos como miopia, hipermetropia e astigmatismo, além de condições como ambliopia e estrabismo, são as alterações que mais impactam a escola. A miopia dificulta a visualização do quadro, enquanto a hipermetropia causa cansaço visual e dor de cabeça. Já o astigmatismo pode provocar visão borrada ou distorcida.
O médico explicou que a falta de visão adequada pode levar a criança a perder o interesse pela leitura, abandonar tarefas ou apresentar irritabilidade, o que pode ser interpretado como desatenção. Franco ressaltou que a avaliação deve ser multidisciplinar para evitar que se diagnostique TDAH ou dislexia sem verificar a visão e a audição, ou que se ignore um transtorno real atribuindo-o apenas a um problema ocular.
Sinais de alerta incluem o hábito de aproximar o rosto do livro, apertar os olhos, inclinar a cabeça, perder a linha durante a leitura ou esfregar os olhos repetidamente. O especialista destacou que o teste do olhinho, feito nas primeiras 72 horas de vida, é essencial, mas não substitui exames posteriores, recomendados entre 6 e 12 meses e novamente entre 3 e 5 anos.
O tema foi debatido em palestra para professores da Rede Municipal de Educação de Goiânia durante as ações do Agosto Azul. A gerente de Inclusão da Secretaria Municipal de Educação (SME), Lliana Gusmão, afirmou que a integração entre educação e saúde prepara os profissionais para reconhecer comportamentos que demandam investigação médica.


