Mais de 70% dos R$ 16 bilhões aplicados em microcrédito urbano em 2025 foram destinados a famílias inscritas no Cadastro Único, segundo Alison Ramon Santos e Silva, diretor do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (27) em Brasília.
O governo federal concentrou a política de microcrédito urbano nos últimos quatro anos em beneficiários do Bolsa Família e do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). O MDS estima que 10 milhões de famílias cadastradas empreendem no país, embora o número de beneficiários do microcrédito urbano ainda seja inferior a 4 milhões.
Santos e Silva informou que entre 67% e 70% dos tomadores de crédito atualmente são mulheres. Para enfrentar gargalos como taxas de juros e o baixo valor médio das operações, o programa Acredita estabeleceu um teto de Selic mais 2% ao ano para as instituições financeiras e subsidiou o custo do acompanhamento dos agentes de crédito.
No setor rural, a linha Pronaf B é voltada a quem não possui renda ou conta bancária, dispensando garantias e cobrando juros de 0,5% ao ano. Agricultores em situação de maior vulnerabilidade podem obter rebate de até 60% nesse valor, segundo Jânio Pereira de Melo, coordenador-geral do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Melo afirmou que o Nordeste teve papel estratégico na consolidação desse modelo, com a atuação do Banco do Nordeste (BNB) e do programa AgroAmigo, servindo de referência para a expansão nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Entre as inovações citadas está o Fundo Garantidor de Operações (FGO), criado em 2024. A ferramenta funciona como garantia do governo federal para pessoas físicas, o que reduz o risco para os bancos e pode permitir a redução de taxas no médio prazo, conforme a avaliação do MDS.


