O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou, nesta quinta-feira (27), a interrupção de uma operação de hackers ligados à China. O grupo invadiu ou tentou acessar sistemas do Senado, da Nasa, do Federal Reserve e de outras instituições governamentais, utilizando ferramentas de invasão chamadas QScan e QTRouter.
As autoridades americanas apreenderam os domínios das duas plataformas digitais usadas nos ataques. De acordo com documento apresentado à Justiça, as ferramentas eram administradas pela Nanjing Xinjiuwei Network Technology Company. Entre os clientes da empresa estariam o Exército de Libertação Popular e o Ministério da Segurança do Estado da China, órgão responsável pela inteligência civil do país.
A apuração indica que as invasões ocorrem desde 2018, com níveis de acesso variados. Em agosto de 2019, houve uma tentativa frustrada de entrar em redes da Nasa por meio de uma falha em sistema de acesso remoto. Já em setembro de 2024, os hackers conseguiram invadir sistemas de três laboratórios do Departamento de Energia, de uma fabricante de equipamentos de segurança e de agências de saúde.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e quatro empresas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul também foram identificados como vítimas. A embaixada da China em Washington e a Nanjing Xinjiuwei não responderam aos pedidos de comentário.
Especialistas em segurança digital afirmam que o governo chinês contrata frequentemente empresas privadas para realizar invasões. Dakota Cary, analista da SentinelOne, disse que o número de companhias que oferecem serviços especializados de hacking aumentou significativamente na última década.
Outras incursões semelhantes foram relatadas recentemente. Em março, o FBI informou ao Congresso que redes de órgãos públicos ligadas a investigações da agência foram invadidas. Ataques a comissões da Câmara dos Representantes e a empresas de telecomunicações também foram atribuídos a grupos ligados à China nos últimos anos.

