A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um alerta nesta semana sobre o uso inadequado de canetas para tratamento da obesidade por crianças e adolescentes. A entidade manifestou preocupação com a utilização desses fármacos sem indicação médica e acompanhamento especializado, o que pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos.
Entre os problemas possíveis, a SBP lista déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e alterações na vesícula. O uso com finalidade exclusivamente estética também é contraindicado, pois pode servir de gatilho para ansiedade, quadros depressivos e transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.
De acordo com Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP, os medicamentos não devem ser usados para modificar a aparência corporal ou atingir padrões estéticos. Alves informou que as substâncias não devem ser aplicadas para perda rápida de peso antes de viagens, festas ou competições, nem para compensar sedentarismo ou erros alimentares.
Até agosto de 2026, três medicamentos da classe das incretinas possuem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a faixa etária pediátrica: liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A liraglutida é indicada para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos e obesidade a partir dos 12 anos, para pacientes com mais de 60 kg. A semaglutida segue a mesma indicação de idade e peso para obesidade.
A tirzepatida é indicada para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos, podendo ser usada isoladamente em casos de intolerância à metformina ou em combinação quando este medicamento não controla a glicemia. A SBP contraindica o uso de produtos sem registro sanitário, incluindo preparações importadas sem aval da Anvisa ou manipuladas clandestinamente.
Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, como náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação, ocorrendo geralmente durante o aumento da dose. Complicações graves incluem hipoglicemia, pancreatite e colelitíase, que é a formação de cálculos na vesícula.
A entidade afirmou que as evidências indicam segurança e eficácia desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida. O alerta foca na utilização indiscriminada, e não no tratamento devidamente indicado por profissionais.


