O general sérvio-bósnio Ratko Mladic morreu nesta quinta-feira (27), aos 84 anos, em um centro de detenção da Organização das Nações Unidas (ONU), em Haia, na Holanda. A morte foi confirmada pela ONU e pela imprensa sérvia após o militar sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
Mladic foi condenado à prisão perpétua em 2017 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por genocídio. Ele teve papel central em matanças durante a guerra na Bósnia, ocorrida entre 1992 e 1995, período em que ficou conhecido como o açougueiro da Bósnia.
A sentença do TPI aponta que o general bombardeava e metralhava diariamente a cidade de Sarajevo com artilharia, tanques e morteiros. A ação do exército nacionalista sérvio resultou na morte de cerca de 10 mil pessoas.
Em julho de 1995, Mladic comandou o massacre de mais de 8 mil muçulmanos na cidade de Srebrenica. Segundo o tribunal, o objetivo era promover uma limpeza étnica para expulsar bósnios muçulmanos e croatas a fim de liberar terras para a chamada Grande Sérvia.
As vítimas de Srebrenica foram empurradas por tratores para valas comuns durante quatro dias. A acusação detalhou que corpos foram posteriormente transferidos para áreas montanhosas remotas para ocultar as evidências dos crimes.
O tribunal concluiu que o general integrava uma conspiração criminosa junto com o líder político Radovan Karadzic e o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic. Mladic negou as acusações durante todo o processo e, ao receber a condenação, afirmou que as alegações eram mentiras.


