A exposição “Expressões”, do artista Siron Franco, encerra a visitação no dia 31 de agosto na Vila Cultural Cora Coralina, no Setor Central de Goiânia. A mostra, considerada a maior já realizada sobre a trajetória do artista goiano, recebeu mais de 20 mil visitantes durante os três meses em que permaneceu em cartaz.
A mostra reúne mais de 100 obras produzidas ao longo de cinco décadas de carreira, com trabalhos que vão de 1961, quando o artista tinha 14 anos, até produções de 2025. A curadoria optou por não seguir a ordem cronológica, aproximando diferentes fases da produção para conectar questões antigas ao presente.
Temas como autoritarismo, exclusão social, sincretismo religioso, resistência cultural e feminicídio atravessam o percurso. Uma instalação sobre a violência contra a mulher divide espaço com a série de Madonas, criada entre os anos 1970 e 1980, que utiliza releituras da Virgem Maria para discutir a vulnerabilidade feminina.
Um dos núcleos da exposição é dedicado ao acidente com o césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. O espaço apresenta obras que analisam os desdobramentos sociais e emocionais da tragédia, incluindo a série “Césio – Rua 57”, criada para arrecadar recursos para as vítimas e combater o preconceito contra o estado de Goiás na época.
Leopoldo Veiga Jardim, idealizador da mostra, afirmou que Siron incorporou a terra de Goiás em telas em um período em que o estado era visto com desconfiança pelo restante do país. Para Jardim, o gesto simboliza a transformação da dor coletiva em memória e resistência.
Siron Franco explicou que a intenção do projeto é provocar reflexões sobre fatos históricos que ainda reverberam na sociedade por meio da arte. A visitação ocorre diariamente, das 9h às 17h, com entrada gratuita.


